Manter um bom controle dos tipos de estoque significa, muitas vezes, obter bons resultados no negócio. Uma gestão inadequada impacta diretamente nas rotinas, principalmente, dos setores de compras, vendas e financeiro, além de elevar consideravelmente os custos operacionais e comprometer o lucro obtido em determinado período.

Nesse sentido, existem algumas estratégias de gestão que podem ser adotadas, de forma a otimizar as operações e ainda permitir que esses custos sejam reduzidos. Uma delas é a escolha do tipo de estoque que a empresa opta por manter.

Os principais tipos de estoque

A seguir, vamos listar 9 tipos e falar como eles podem ajudar nessa tarefa. Continue acompanhando e confira agora mesmo!

Estoque consignado

É quando o estoque fica em posse de um terceiro, através de um acordo firmado entre as partes, que estabelece um período de prevalência do contrato. Nesse caso, apesar de os itens serem transferidos, através de documentação, para a empresa, a posse continua sendo do fabricante.

Ao fim do período estipulado, a empresa deve pagar pelo estoque ou então devolver os produtos que foram consignados. Caso a devolução não ocorra, essas mercadorias são automaticamente transferidas para a empresa, que deve realizar o pagamento, sob pena de ficar inadimplente.

A vantagem desse, nos tipos de estoque, em termos de redução de custos, é que a empresa não corre o risco de ficar com itens parados e obsoletos em seu estoque, visto que, caso não haja saída, é possível devolvê-los ao fabricante no fim do prazo acordado.

Estoque de antecipação

Esse estoque é muito utilizado quando existe sazonalidade de produtos. Dessa forma, quando o período de pico se aproxima, as empresas já se programam para aumentar os níveis de estoque, a fim de suprir a nova demanda. Um bom exemplo disso é a venda de artigos natalinos, que faz com que as empresas já se programem alguns meses antes para conseguir fabricar e manter estoque suficiente para a procura.

A vantagem de gerir o estoque dessa maneira é que o gestor não precisa manter altos níveis de estoque fora do período de pico, reduzindo custos de estocagem, riscos de perdas, desperdícios e extravios. Além disso, quando bem programada, a antecipação permite manter um alto índice de atendimento de pedidos, diminuindo os custos ― inclusive os intangíveis ― que a perda de uma venda por falta de estoque pode ocasionar.

Estoque de ciclo

É muito comum em empresas que não possuem capacidade para lidar com toda a variedade de produtos de uma só vez. Dessa forma, a programação da reposição dos estoques acontece em ciclos, de acordo com os grupos de produtos.

Dessa forma, esse estoque consegue manter todos os produtos que a empresa oferece, sem sobrecarregar a mão de obra ou o espaço disponível para estocagem. Isso acontece muito em indústrias que precisam programar sua produção para ocorrer em ciclos.

A principal vantagem de se adotar esse método em um processo produtivo é reduzir os custos de produção por unidade, visto que, ao produzir em maior escala, o custo unitário abaixa. Além disso, o “reset” de uma máquina para alternar o item que será produzido pode elevar consideravelmente os custos, o que faz com que a programação da rotatividade de produção seja a forma mais ideal.

Estoque mínimo

O estoque mínimo se constitui das quantidades mínimas necessárias para suprir a demanda. Normalmente, essas quantidades são estabelecidas através da análise do giro de estoque, aliada à previsão de demanda. Por um lado, ele contribui consideravelmente para a redução de custos, visto que apenas as quantidades necessárias são adquiridas, reduzindo custos com aquisições, espaço e mão de obra necessária para manter a gestão.

Porém, esse é um dos tipos de estoque mais arriscados, visto que qualquer flutuação na demanda ou falha nas previsões pode fazer com que determinado item falte e prejudique o índice de atendimento de pedidos.

Estoque de segurança

Apesar do conceito ser parecido com o do estoque mínimo ― já que o estoque de segurança trabalha com os níveis mínimos necessários para atender a demanda ― nesse caso, se programa uma margem para que qualquer flutuação na demanda possa ser suprida.

A vantagem de manter um estoque de segurança é que praticamente se elimina o risco de absorver custos com parada de linha ou de falta de itens em estoque para venda, o que gera custos consideráveis para a empresa.

Só é preciso ter o cuidado de manter sempre as análises do giro dos materiais, para evitar que o estoque acabe ficando inflado com excesso de mercadorias, aumentando o risco de perdas e prejuízos.

Estoque especulativo

Ele é adotado quando se busca reduzir os impactos que uma variação de preço causa no mercado. Por exemplo, quando se sabe que haverá aumento de preço de determinado item, as empresas já se programam para aumentar o volume do estoque desses materiais. Assim, consegue-se evitar uma elevação considerável nos custos de produção, o que acaba impactando na lucratividade, ou afetando os preços oferecidos aos clientes.

Isso também pode ocorrer com itens que possuem relação, visto que quando o preço de determinada matéria-prima aumenta, os produtos que possuem esse item em sua composição também aumentarão.

Estoque regulador

O estoque regulador é muito utilizado quando uma empresa possui mais de uma unidade. Nesse caso, o estoque é mantido em apenas uma das unidades, que fica responsável pelo abastecimento das demais. Sendo assim, sempre que uma reposição é necessária, as unidades comunicam e o reabastecimento é feito.

A grande vantagem disso é que o controle do estoque fica centralizado e se reduz custos de manter estoques em vários locais diferentes como, por exemplo: custo com espaço, mão de obra e equipamentos. Além disso, as unidades conseguem atender suas vendas, sem que seja necessário manter altas quantidades de mercadorias paradas.

Estoque de canal

O estoque de canal se encontra em trânsito, em alguma etapa do canal de distribuição. Ele ocorre quando os itens não podem ser enviados de um ponto a outro de uma só vez e, por isso, passam por intermediários. Um bom exemplo disso é quando um produto sai da fábrica, passa pelo atacadista, pelo distribuidor, para só então chegar no varejista.

Estoque de canal pode estar, também, nos caminhões, aviões, correios ou qualquer meio de transporte, nesse caso, chamado de estoque em trânsito. A vantagem é que nenhuma das partes fica sobrecarregada com estoques e mantém outras empresas ― intermediárias ― com suas atividades no mercado.

Estoque máximo

Essa estratégia visa encontrar a quantidade máxima que o estoque consegue manter de cada item, sem que os custos de manutenção e os riscos de perdas aumentem. Dessa forma, sempre que determinado item chega ao seu nível máximo, é apontado um impedimento para que novas compras desse material não sejam realizadas enquanto o nível não diminuir.

A vantagem é que sempre existirá o controle da capacidade do estoque, o que reduz, principalmente, o aumento de custos com espaço necessário para armazenar as mercadorias e o risco de perdas e obsolescência dos materiais. Vale lembrar, ainda, que estoques muito cheios trazem um risco grande de avarias nos itens, visto que a armazenagem pode não ser realizada da forma mais adequada.

Relação do estoque com os custos de uma empresa

Para que uma empresa possa manter sua operações, ela precisa gastar dinheiro com algumas atividades. O estoque é uma delas e faz com que a organização absorva alguns custos, que são necessários mas podem ser reduzidos. Dentre alguns deles, podemos citar:

  • Custo com aquisição de materiais;
  • Custo com o espaço necessário para estocar as mercadorias;
  • Custo com máquinas e equipamentos para realizar a movimentação;
  • Custo com mão de obra;

Além desses, ainda existem outros custos que surgem em decorrência de uma gestão ineficiente, como custos com avarias, extravios, perdas, furtos, obsolescência e até mesmo a falta de itens em estoque, que causa a perda das vendas.

Portanto, apesar de ser uma área operacional, e, por vezes, negligenciada, a gestão de estoques requer muito planejamento e análises, para evitar essas ocorrências, além de encontrar melhorias que ajudem a reduzir os custos totais. Isso quer dizer manter as áreas integradas, trocando informações importantes para uma boa execução do planejamento, realizar previsões de demanda e análise da situação de mercado, evitar aquisição de excesso de mercadorias, realizar inventários periódicos e avaliar os processos a fim de implementar melhorias contínuas.

Esses são apenas alguns dos exemplos de tipos de estoques que uma empresa pode manter e que, dependendo dos objetivos e da estratégia adotada, podem ajudar na redução dos custos. Cabe ao gestor avaliar qual a melhor opção de acordo com seu modelo de negócios, avaliando os riscos e os benefícios que os tipos de estoque podem proporcionar para a gestão e os resultados.

Vale ressaltar que mais de uma estratégia pode ser adotada, a fim de maximizar os resultados como, por exemplo, empresas que trabalham com estoque de segurança adotar a estratégia de estoque por antecipação, em caso de sazonalidade ou flutuação da demanda. Por fim, é importante lembrar a importância de se manter um controle informatizado através de um sistema ERP, evitando, assim, possíveis falhas e erros humanos.

Agora que você já sabe mais sobre os tipos de estoque, aproveite para saber por que as gestões de compras e de estoque precisam andar juntas

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